ESCOLA

Projeto: Saboreando as Grandes Navegações (XVI)

Justificativa:

Como professora de História, meu principal objetivo é aproximar a realidade do aluno ao conteúdo que está sendo estudado.
Ao iniciar o ano letivo de 2010, verifiquei que no planejamento anual contava o conteúdo “As grandes navegações”, que deveria ser ministrado para a turma do sétimo ano amarelo.
Ao refletir e pensar sobre como esse assunto poderia ser abordado, uma indagação surgiu: Como elaborar uma seqüência didática, que aproximasse acontecimentos históricos tão importantes e ao mesmo tempo tão distantes da realidade dos alunos?  Essa indagação proporcionou uma análise critica de várias sequências didáticas que elaborei e utilizei em anos anteriores, levando-me a escolher aquela que tornaria o processo de ensino e aprendizagem verdadeiramente eficaz; enriquecendo assim, o meu desenvolvimento profissional.
Através da utilização de uma dessas práticas, no ano letivo de 2009, os alunos manusearam em sala de aula as chamadas “especiarias” (cravo, canela, noz-moscada e açafrão), levando-os a conhecer os produtos que impulsionaram as “Grandes Navegações”.
Uma das molas propulsoras para a saída do europeu ao mar foi o comércio das especiarias, que provocou o posterior intercâmbio de alimentos que mudou para sempre a História da Gastronomia no Mundo. A partir dessa afirmativa, uma outra indagação se fez presente: Por que não utilizar a Gastronomia para ensinar “As Grandes Navegações”? A partir desse ponto, seria possível aos alunos reconhecer que parte dos alimentos que todos consomem atualmente, são frutos de um movimento econômico e cultural de cinco séculos atrás. Os alunos aprenderiam que o bolo que eles prepararam contém ingredientes que já viajaram o mundo todo, como o cacau, que era cultivado por Maias e Astecas na América, levado para Europa pelos espanhóis, transformado em chocolate e retornando para a América com o status de um dos doces mais saborosos que existe e não pode esquecer-se do trigo, cultivado há milênios por orientais, africanos e europeus, e trazido também para América. Além do cacau e do trigo, quem não gosta de um café quentinho, esse cultivado na Etiópia e trazido pelos portugueses ao Brasil?
A aproximação de passado e presente mostraria aos alunos que muitos fatos da historia refletem até hoje em nossa realidade.

Objetivos:

Ao elaborar esta sequência didática, elaborei os objetivos que deveriam ser alcançados durante o processo de ensino-aprendizagem, pois, acreditando que como educadora além de ministrar os conteúdos em sala, atualmente é necessário trabalhar valores importantes para o convívio em sociedade. Em relação aos objetivos específicos do Conteúdo, ao final do processo de ensino-aprendizagem, os alunos deveriam ter condições de:

a)      analisar os motivos que levaram o homem europeu a navegar por outros continentes, como África, Ásia e América;
b)     identificar e criticar as mudanças culturais, políticas, econômicas, sociais e geográficas provocadas pelas “Grandes Navegações”;
c)      reconhecer que grande parte dos alimentos que consumimos hoje já viajou o mundo, conhecendo suas origens e trajetórias.

Já os objetivos relacionados aos valores, que os alunos deveriam ter condições de:

a)      expressar e debater opiniões respeitando a opinião de outro;
b)     trabalhar em equipe, compreendendo a importância de dividir tarefas e cooperação mútua;
c)      socializar-se com a família e colegas, ao preparar os pratos para a  degustação.

Conteúdos Curriculares: As Grandes Navegações (XVI)

Metodologia:

Antes de iniciar o Projeto, que estava ainda no “plano das ideias”, tive que esboçar todos os objetivos que eu pretendia alcançar, as metodologias que seriam utilizadas, bem como realizar uma pesquisa criteriosa sobre a origem dos principais produtos alimentícios que foram difundidos pelo mundo durante as “Grandes Navegações”. Após essas pesquisas foi a vez de selecionar receitas culinárias utilizassem tais ingredientes.
Contudo, esta última parte acabou se tornando um dilema, pois, ia muito além dos meus conhecimentos históricos, “invadindo” outra área científica, a Gastronomia. E foi assim, que resolvi pedir ajuda a um profissional da área, o Chef de Cozinha e membro da “Federação Italiana de Cozinha” Moisés Costa, que gentilmente selecionou e me enviou receitas de preparações culinárias que utilizavam os alimentos.
Um fato curioso é que várias dessas receitas fazem parte hoje da chamada culinária popular mineira, algo que não havia sido cogitado no início da realização do Projeto.
Para material de apoio ao estudo, resgatei um texto que havia elaborado no ano passado sobre as “Grandes Navegações”, selecionei outras leituras complementares, imagens e mapas do livro didático que, é utilizado pelos alunos.
Foi elaborado um cronograma das atividades e foi enviado aos um comunicado explanando a importância do Projeto.

Com o projeto planejado, só restava executá-lo!

1ª aula (06/05/2010): no final da aula, pedi aos alunos que respondessem em casa a seguinte questão: Se você fosse viajar para outro país, para onde iria, como iria e o que levaria?

2ª aula (12/05/2010): iniciei a aula pedindo para que alguns alunos relatassem para a turma o que haviam respondido na questão anteriormente levantada. Os alunos demonstraram muita euforia, porque todos queriam falar e ao mesmo tempo e ouvir o que outros contavam. Para inserir o assunto “As Grandes Navegações”, perguntei se as viagens que eles fariam teriam um propósito, e as respostas obtidas foram relacionadas às viagens de aspecto cultural, ou seja, o desejo de conhecer novos lugares e costumes; também questionei se os homens sempre tiveram essa vontade de viajar e quando isto começou a ocorrer. Percebi que a maioria tinha certeza de que os homens sempre tiveram vontade de conhecer novos lugares e tinham um propósito.

Contudo, os alunos desconheciam a partir de quando isto passou a acontecer. Então, contei para a turma que estávamos iniciando um novo conteúdo, as “Grandes Navegações”, e com este estudo, iríamos aprender os motivos que levaram às viagens, os instrumentos que eles utilizavam, e o como estas viagens acabaram mudando a história do mundo. A seguir, fiz uma proposta à turma, entregando o texto para que todos lessem em casa, bem como a indicação de leitura e análise de textos, de mapas e imagens complementares, e que anotassem no caderno as dúvidas que poderiam surgir, e que poderiam ser debatidas na próxima aula. Informei-os que iriam fazer um trabalho em grupo, em que cada um teria que pesquisar a origem de um produto alimentício  a que “viajou” com as “Grandes Navegações”, preparar a receita culinária em que esse produto seria utilizado, apresentar a origem do produto(açúcar, batata, cacau, café, milho, tomate e trigo) e trazer o prato elaborado para a degustação (bolo melado, pão-de-queijo de batata, pudim de chocolate, pau-a-pique com café, curau, cuscuz de tomate e bolinho de chuva, respectivamente). Os alunos formaram os grupos, cada um recebeu o nome do alimento e a receita, bem como o comunicado aos pais ou responsáveis sobre o Projeto. A aula acabou, e os alunos encontravam-se motivados com o desafio que proposto.

3ª aula (13/05/2010): Primeiramente, apresentei o mapa das “Grandes Navegações” e a partir de uma explanação dialogada, foram levantados os objetivos das navegações dos séculos XV e XVI, e os principais fatores que as teriam provocado, como o comércio de especiarias e a vontade de conhecer novos lugares; como a invasão dos chamados “turcos-otomanos” provocando  a procura de uma nova rota para se chegar até a Ásia, e  como essa procura possibilitou a exploração do continente africano,a descoberta da América e do Brasil; destacamos as tecnologias utilizadas na época, como mapas e bússolas, comparando-as com as tecnologias de hoje, a exemplo do GPS; analisamos a troca cultural decorrente das viagens, onde enfatizamos o intercâmbio de alimentos entre europeus, asiáticos, africanos e americanos. Depois da explanação dialogada, os alunos foram levados a sanar algumas dúvidas referentes ao conteúdo, e para responder algumas questões foi necessária a realização de uma pesquisa mais criteriosa: como por exemplo, uma aluna que questionou para qual fim medicinal o açafrão era utilizado;  combinei com os alunos que iria pesquisar estas questões e que num próximo encontro traria as respostas.

4ª aula (19/05/2010): Dia das apresentações. Ansiedade tomava conta de todos. O Laboratório de Ciências, por ter um espaço amplo, seria o local para o grande momento. Foi montada uma mesa de muito bom gosto, onde estavam dispostos os apetitosos pratos.  Fez-se registros fotográficos do momento tão esperado. Os alunos iniciaram as apresentações, expondo, a origem do alimento do seu respectivo grupo.  Após a apresentação dos grupos, chegou à hora mais aguardada: a degustação dos pratos, momento de compartilhar entre eles a emoção de saborear as delícias que tiveram a oportunidade de executar. Então, começamos com o cuscuz de tomate, depois saboreamos o pão de queijo de batata, o bolinho de chuva, o pau-a-pique com café, o pudim de chocolate, o curau, e finalmente, o bolo melado; até recebemos a visita das cantineiras da escola que adoraram saborear os pratos. A aula acabou, ficando um gostinho de quero mais!

5ª aula (26/05/2010): Apresentei em slides as fotos que foram tiradas de todos os pratos acrescidos de imagens de todos os alimentos utilizados. Esta aula foi muito interessante porque os alunos se sentiram mais a vontade para debater a origem dos alimentos e apreciar as imagens das preparações culinárias. Ao final da aula, propus que cada aluno elaborasse como Tarefa, uma  História em Quadrinhos sobre a origem dos alimentos.

6ª aula (27/05/2010): Enquanto analisava as HQ’s,propus aos alunos que escrevessem uma carta a uma determinada pessoa, que poderia ser um amigo ou parente, relatando todas as aulas sobre as “Grandes Navegações”, contando tudo o que haviam aprendido e realizado. Ao final da aula, recolhi todas as cartas, que foram posteriormente lidas.

7ª aula (02/06/2010): Alguns alunos leram para a turma as cartas que escreveram e assim encerramos o Projeto.

Avaliação:

Eu encaro a Avaliação como meio e não um fim do processo ensino-aprendizagem; portanto, todas as etapas deste Projeto foram avaliadas. Avaliei a participação dos alunos durante as explanações dialogadas; na realização das Tarefas propostas; na organização dos grupos; na apresentação das preparações culinárias, bem como na explanação sobre a origem dos alimentos; na elaboração da História em Quadrinhos e da Carta. Através de todas as Avaliações, pude concluir que os alunos construíram um conhecimento histórico significativo sobre as “Grandes Navegações”, embora conclua que, de modo geral, eles tiveram uma dificuldade significativa para explanar à turma a origem dos alimentos pesquisados, tanto que, ao perceber a necessidade de utilizar mais uma aula para a discussão sobre a origem dos alimentos, apresentei slides com as preparações culinárias, levando-os de modo sutil, informal, a relatar para os colegas a origem dos alimentos sem a “pressão” que existe ao se apresentar um Trabalho; em compensação, eles não apresentaram dificuldade nenhuma ao elaborar as HQ’s e as cartas.
Portanto, ficou evidente que os meus alunos demonstraram uma responsabilidade muito grande e um senso de cooperativismo na compra dos ingredientes e na elaboração dos pratos, um ponto que considero como o maior aprendizado alcançado através deste Projeto.

Autoavaliação:

Este Projeto me trouxe um crescimento profissional muito grande, porque me proporcionou um meio de aprofundar em um tema fascinante, que é a História da Gastronomia. Em relação à parte didática, percebi que poderia ter explorado melhor as Tarefas para casa, a exemplo da tarefa que iniciou o Projeto, quando levei os alunos a pensar em uma viagem, para onde iriam, como e o que levariam; deveria ter acrescido mais algumas questões que enriqueceriam a pesquisa, como, que língua teriam que aprender para se comunicar, que prato gastronômico deste país eles degustariam, qual patrimônio histórico gostariam de visitar, e o que levariam de nossa cultura para a viagem, como uma música, dança ou pratos tradicionais. Em relação à explanação da origem dos alimentos, deveria ter lhes ensinado como apresentar um Trabalho em grupo e qual postura se deve ter perante aos ouvintes.
Embora tenha apresentado falhas, de modo geral o Projeto “Saboreando as Grandes Navegações” foi um sucesso! Os alunos adoraram colocar a mão na massa e preparar os pratos, socializar com os colegas de classe e familiares – a participação das famílias foi a base para esta fase do Projeto – e com alguns funcionários da Escola, e isto ficou muito bem exposto nas cartas que eles produziram, onde a maioria enfatizou que a melhor fase do Projeto foi a preparação e a degustação dos pratos.
Penso agora em dar continuidade ao Projeto, utilizando a “História da Gastronomia” em outros temas históricos e com outras turmas. Foi realmente saboroso!

Saboreando as Grandes Navegações – ppt

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